Em Portugal, o Movimento
Guidista surge devido ao entusiasmo de antigas
guias inglesas residentes em Portugal que,
nos anos 20, juntam grupos de raparigas
inglesas e portuguesas, no Porto e depois
em Carcavelos e na Madeira, com as quais
formam as primeiras Companhias. Estas Companhias
estão associadas a colégios
ingleses e dependem directamente da Associação
Mundial.

Só em 1931, ano em que BP e Olave visitam
a Madeira, começam a ser dinamizadas as
primeiras Companhias de Guias portuguesas,
no continente e na Madeira.
Três anos mais tarde, em 1934, os Estatutos
da AGP são aprovados pelo
Governo, e elege-se a primeira Comissária
Nacional, Fernanda D' Orey, e a Comissária
Internacional, Miss Pope, Guia inglesa que
muito ajudou na consolidação da nossa Associação.
Este ano foi ainda marcado pela recepção
do segundo cruzeiro de Guias e Escuteiros
Britânicos, cujo último destino era Lisboa.
Nesse dia, cerca de 200 Guias caminham juntas
na cidade, sendo vistas pela primeira vez,
pela população.
O espírito do Movimento estende-se por Portugal
e pelas Províncias Ultramarinas. Em 1936,
comemora-se pela primeira vez em Portugal,
o Dia do Pensamento (22 de Fevereiro). Contudo,
a situação da Associação altera-se em 1937
com o pedido de cessação das actividades
feito pelo Governo, motivado pela criação
da Mocidade Portuguesa. Agravada com os
anos de agitação da Guerra Civil de Espanha
e mais tarde com a II Guerra Mundial, o
Movimento acaba por ser suspenso no continente
e nos Açores. Apenas a Madeira se mantém
em plena actividade, dinamizada pela "Chefe
Carolina", que desenvolve diversas acções
sociais na Ilha, entre elas, a criação da
fundação "O Ninho", um lar de apoio a crianças
necessitadas, onde as Guias prestavam serviço
e para onde eram dirigidos os fundos conseguidos
nas actividades por elas planeadas. Esta
Fundação ainda se mantém activa nos dias
de hoje. Só em 1954, por iniciativa de um
grupo de antigas Guias que consegue obter
o apoio do Patriarcado de Lisboa e do Ministério
da Educação, a Associação reinicia as actividades
em Lisboa. O grupo elege como Presidente
Maria do Carmo Pombeiro e como Comissária
Nacional, Isabel de Estarreja, que dão um
forte impulso à Associação iniciando um
período de grande expansão pelo Continente
e Províncias Ultramarinas.

Em 1960,
a AGP recebe a Chefe Mundial das Guias, que
passa por Portugal no âmbito de uma
viagem que realizou pelos países onde
o Guidismo se encontrava em desenvolvimento.
Em 1963, a AGP é aceite como Membro
Aspirante da WAGGGS - World Association
of Girl Guides and Girl Scouts – (Associação
Mundial das Guias) na 18ª Conferência
Mundial realizada na Dinamarca. Foram, no
entanto, necessários 12 anos e uma
visita da Associação Mundial
a diversas Companhias de Guias do nosso
País, para a AGP ser reconhecida
como Membro Efectivo da WAGGGS, na 22ª
Conferência Mundial, que teve lugar
em Brighton, Inglaterra, em 1975.
A nova
condição foi motivo de grande alegria para
todas, porque se demonstrou que o Guidismo
estava, de novo, bem implantado em Portugal.
Na década de 70, já existiam Companhias
de Guias em Viana do Castelo, Porto, Braga,
Guarda, Viseu, Aveiro, Leiria, Lisboa, Almada,
Beja, Portalegre, Batalha, Faro, Santarém,
Castelo Branco, Açores e Madeira.
Em 1973, realiza-se o I Acampamento Nacional,
na Quinta do Ripilau, em Vila Chã de Ourique,
sob o tema "Na Aventura da Descoberta",
que contou com a participação de cerca de
1000 Guias portuguesas, incluindo Guias
moçambicanas e Guias angolanas, e com a
presença de Guias inglesas e polacas.

Cinco
anos depois, foi organizado o II Acampamento
Nacional com o tema "Festa no Mundo", onde
se celebrou a aceitação da AGP como Membro
Efectivo da WAGGGS. No Bombarral encontravam-se
patrulhas com nomes de cidades de todo o
mundo e, como convidadas estrangeiras, estavam
as Guias do México.
A Associação Guias de Portugal procurou
sempre colaborar com outras organizações
juvenis sendo em 1985, um dos membros fundadores
do Conselho Nacional de Juventude. Nesse
mesmo ano foi declarada Associação de Utilidade
Pública.
Um ano mais tarde, em 1986, a AGP, em conjunto
com as associações de escuteiros portuguesas,
teve a honra de organizar a Conferência Europeia
das Guias e Escuteiros que decorreu em Ofir,
Esposende, e onde estiveram representadas
associações de 24 países da Europa.
No ano em que se celebram os 500 anos dos Descobrimentos Marítimos Portugueses, 1988, realiza-se o III Acampamento Nacional, no Vale do Zebro (Barreiro), sob o tema “Vale a pena correr o risco”.
Em 1992, a Patrulha Poney, do Ramo Moínho, recebe o Prémio Olave, pelo excelente trabalho de serviço comunitário desenvolvido com os refugiados da guerra da Bósnia.
Criado para homenagear a memória da Chefe Mundial, este prémio anual procura manter vivo o espírito do “Serviço”.
Desde então mais três Acampamentos Nacionais se realizam: o IV decorre em 1994, no Cartaxo, com o tema “Junta-te às estrelas”; o V, em 1997, em Sesimbra, com o tema “Os Oceanos”, e o último, o VI, em 2002, com a reunião das Guias em Viana do Castelo, para viver o tema “Guidismo É... Crescer, Ser Capaz, Arriscar e Aceitar Desafios”.
Será ainda de destacar o envolvimento das Guias na Missão SOS Kosovo em 1999, que consistiu na recolha e organização dos donativos da população – alimentos, roupas e cobertores – para ajudar o tão massacrado e necessitado povo de Kosovo.
Por todo o trabalho desenvolvido pelo movimento Guidista, e no âmbito das comemorações dos 70 anos da AGP, Sua Excelência o Presidente da Républica Dr. Jorge Sampaio atribuiu à Associação, em 2001, a Condecoração de Membro Honorário da Ordem de Mérito.
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